Nature

domingo, 5 de março de 2017

Flores em Moscou (Москва цветы)

Passa o tempo, e a vida perde o verde
Vem chegando a tarde, mais perto que eu
As flores, tão tristes de Moscou, na terra e no zumrut*
São flácidas, vem de longe
E entre elas os espinhos se amam
melhor lugar não há
entre a terra e o zumrut*
há algo.

Aqueles grandes dias de inverno
Dias intrigantes, frios e misteriosos
Quando olho de novo, vejo melancolia e nostalgia.
O dia vai passando
E agora não há mais nada a se fazer
E não há mais nada a se pensar
E agora o fim está próximo.

Abertas as flores estão.
Rugem ferozmente de alegria
Azuis, vermelhas, amarelas
Todas cansadas de tanto viver.

Ana Ugo Zibov

*não encontrei tradução para este termo

sexta-feira, 3 de março de 2017

Ana Ugo Zibov - Biografia



Ana Ugo Alexandrovich Zibov, um nome tão importante, porém tão oculto, tão controverso.Nasceu em 10 de agosto de 1836 em Lomonosov , e faleceu em 09 de março de 1920, aos 84 anos, em moscou, vítima de um infarto fulminante. Compositora e escritora, desafiou os padrões comuns a seu tempo, ao falar com naturalidade de temas como a morte e relacionamentos impossíveis, sabendo conciliar ambos em um texto apenas.
Descendente da nobre família Zubov, que a alguns anos atrás se separou por motivos até hoje desconhecidos, formando a geração não tão promissora dos Zibov, Ana cresceu em meio a costumes muito simples, mas desde pequena demonstrava interesse constante por sons musicais, buscando em meio aos objetos de sua casa algo que pudesse soar musicalmente. Seu pai Dmitry logo notou que a jovem Ana iria se destacar dos demais, e dedicou suas noites a reforçar o estudo escolar da jovem, propondo exercícios e problemas complexos.Por fim, Ana finalmente pode ingressar em aulas particulares de piano, onde demonstrou acelerado desenvolvimento, contam alguns biógrafos. Em 1857, aos 21 anos, Ana conclui sua primeira obra, entitulada Соната кость (Sonata kost' - Sonata aos Ossos), causando já demasiada preocupação de seus pais, por demonstrar um estilo praticamente macabro de compor.Porém, apesar de macabro, desde cedo a originalidade no fraseado e nas sequências harmônicas.
Escreveu diversos e pequenos textos, que só faziam crescer e afirmar a forma rebelde e desafiadora com que Ana atraia seus ouvintes e leitores. Seu texto denominado "Prosecotista" (Já transcrito neste blog), escrito aos 22 anos, causou polêmica e extrema preocupação por parte de sua família. Muitos passaram a acreditar, a partir daí, que Ana possuía um transtorno psicopata dentro de si, ainda reprimido. O termo prosecotista, aliás, foi criado pela própria Ana, significando, segundo a própria:

     "[...] Uma ânsia entre o amor e a matança, um desejo de amar que se mistura ao desejo de matar. Um amor perigoso, e por isso mesmo, cheio de música em si." (ZIBOV, Ana Ugo - Luz aos desesperados)

Porém, foi em 1892, aos 56 anos, que Ana escreveu sua obra prima: A Соната полдень (Sonata polden' - Sonata do meio-dia). Nesta obra, Ana explora o ostinato e as variações constantes de volume como forma de enriquecer a doce melodia que caminha lentamente, tudo isso apoiado por uma genial sequência de acordes. Após esta obra genial, outro escrito foi publicado, e de novo considerado uma prova da insanidade mental de Ana: O pequeno texto que tem no seu título o próprio nome da autora, e que fala de si mesma como se fosse outra pessoa, e mais, como se a própria Ana fosse uma má pessoa:

Para muitos parece não fazer muito sentido
mas pra mim faz
faz todo o sentido
quem é você, Ana Ugo Zibov?
Porque você voltou? Porque voltou justo agora?
O dufma escondido em ti não me deixa respirar
Por quê você, Ana Ugo Zibov?
Por que continua aparecendo e reaparecendo na minha vida?
Por quê?


Me mostre o que há dentro de ti, Ana Ugo Zibov
Me mostre tudo o que eu preciso saber
É um vício que eu não sei curar
Afaste-se de mim, Ana Ugo Zibov
Quanto mais você se aproxima, mais me aproximo de uma catástrofe
E que grande catástrofe!
Pra quê destruir minha vida
Não posso
Não devo
Devo esquecer você
Ana Ugo Zibov

E por fim, já em moscou, publicando pequenas suítes e alguns pequenos poemas, Ana passou o fim de seus dias, morrendo aos 84 anos, vítima de um infarto fulminante. Sua vida continua um mistério. Muito se fala sobre a insistência de alguns autores em afirmar que Ana, na verdade, nunca existiu, e que suas composições na verdade são verdadeiras fraudes (fato que ajuda nesta argumentação é o acesso muito difícil aos seus arquivos.). Porém, não é de se negar os caracteres muito próprios não só de sua música, mas também de seus textos. Por conta desta polêmica, Ana sumiu da maioria dos registros da literatura, e hoje não possui nem mesmo um verbete no wikipédia. Muitas das informações sobre esta compositora tiveram de ser recolhidas da Deep Web (que por possuir um acervo muito rico em russo, possui muito mais registros sobre este mesmo país).Porém, espera-se que as inebriantes melodias de Ana voltem à sociedade e não sejam mais escondidas  por biógrafos e por musicólogos.



quarta-feira, 1 de março de 2017

Prosecotista

Primeiro amar, depois matar
Chegou a hora
O amor doentio se transformou em salutar ódio
Grande rancor
insipido
odeio, como nunca odiei ninguém
vingança, é a hora? sim, é agora
agora mesmo, é a hora dos demônios que existem em mim saírem
na manhã aparentemente calma, destruirão com sangue sonhos e segredos
ainda que me assuste, será um alívio.

Minha ânsia de matar fará seu trabalho
as flores murcharão diante de meu ódio
flores não são mais desculpas
urge em mim um grito: "chega de sofrer"
de hoje em diante, meu sofrer se tornará ódio e morte

Basta de dor
urge em mim um grito: "chega de sofrer!"
zumbe em meus ouvidos um som familiar, dizendo "mate"
outrora não o dava ouvidos, mas é chegada a hora.

É agora, não pode tardar.
Limparei com sangue as feridas do meu coração
Logo estará morta.

Ana Ugo Zibov


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Pronto, Falei

Já chega
é o fundo do posso sem fim
será melhor
tudo estará de novo como estava
já estou sem ar
minha cabeça me engana
me ajude, minha cabeça não tem lugar

Não acaba
não quer acabar, meus sofrimentos são um
é fogo, braza
na minha alma, um horror.

Já chega. Isso é tudo.
Ana Ugo Zibov

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Ninguém jamais entenderá

É apenas um fardo carnal, grosso modo estranho
Nada de amor ou de paixão, incrível como as coisas se confundem
Nada demais, ou de menos
Talvez passe, vamos viver muito tempo ainda pra ver
Nada de platônico ou piegas, apenas meus lábios pedindo pelos seus
Apenas minha pele passeando pela sua, na vontade louca de passear novamente
Apenas seus cabelos passeando pelas costas, assim do jeito que me faz não querer parar de olhar.

Silenciosamente, busco um fim a tudo isso.
Busco cessar esse desejo, ultimo desejo de meu corpo já cansado de sofrer pela alma
Busco abrigo para este delírio, zumbido que não cessa em meus ouvidos.
Logo vai passar, ou não.

Quem puder entender, que entenda.


Quem quiser, que entenda



Me aliviou ficar longe de você

por um tempo pude pensar em mim mesmo.

O que será de mim na segunda-feira?

Que desesperos me aguardam?

Que angústias você prepara para a minha alma?
Sei que é uma angustia necessária






Não gosto

Mas insisto

tudo olha para fora dentro de mim, esperando por você

tudo voltará, e me pergunto: "por quê?"

nada aliviará esse peso dentro de mim

Em nada esse peso ficará mais leve

A angústia não vai passar, pelo menos não agora



Não brinquem dentro de mim, tristezas de minha existência

É um vício sem fim

É zumbido da minha alma

É o olho de quem não vê, pois sofro em silêncio






Por que você, Ana Ugo Zibov?
Ana Ugo Zibov
OBS:  "Segunda-feira" (понедельник) foi um termo deduzido da expressão "Segunda"

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Ana Ugo Zibov

Para muitos parece não fazer muito sentido
mas pra mim faz
faz todo o sentido
quem é você, Ana Ugo Zibov?
Porque você voltou? Porque voltou justo agora?
O dufma* escondido em ti não me deixa respirar
Por quê você, Ana Ugo Zibov?
Por que continua aparecendo e reaparecendo na minha vida?
Por quê?

Me mostre o que há dentro de ti, Ana Ugo Zibov
Me mostre tudo o que eu preciso saber
É um vício que eu não sei curar
Afaste-se de mim, Ana Ugo Zibov
Quanto mais você se aproxima, mais me aproximo de uma catástrofe
E que grande catástrofe!
Pra quê destruir minha vida
Não posso
Não devo
Devo esquecer você.
Ana Ugo Zibov

*Não encontrei tradução para este termo